Inìcio, Resenhas, Lidos no Mês, Maratonas & Desafios

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A Queda - Diogo Mainardi


Resenha: Diogo Mainardi relata neste livro a trajetória de seu filho Tito, vítima de um erro médico em um hospital em Veneza. Em suas memórias, o escritor detalha toda a sua angústia e expectativa em relação ao fato ocorrido com Tito.
Além de detalhar a evolução de uma criança portadora de paralisia cerebral, o  livro possui uma narrativa marcante e recheada de fatos artísticos, descrevendo um pai preocupado e totalmente envolvido no ambiente familiar. É nítido o envolvimento e a importância da presença paterna de Diogo. 
Em suas memórias ele descreve vários tipos de sentimentos, inclusive as suas decepções.  Em alguns momentos ele consegue até mesmo ser humorado frente a um assunto tão sério. 
Foi sem dúvida uma leitura muito envolvente, pois o livro é muito bem detalhado e ilustrado, características que prendem o leitor. 
Fazia um certo tempo que 'A Queda' estava na minha lista, pois acompanho Diogo Mainardi em seu programa  Manhattan Connection, tenho por ele uma certa admiração, pois além de ser escritor, também é um leitor assíduo, produtor, roteirista e um grande crítico de governos populistas. Faz publicações no site O Antagonista usando o seu humor ácido que é uma de suas características marcantes.  
 Para quem aprecia livros de não-ficção bem detalhados e com um rico conteúdo vale a leitura! 

"Cair tem muito mais valor que caminhar".


Ano: 2012
Páginas: 152
Editora: Record

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sete Minutos Depois da Meia-Noite - Patrick Ness


Resenha: Sete Minutos Depois da Meia-noite é um livro que mescla fantasia e realidade. Conta a história de Conor, um menino de 13 anos, cuja mãe está muito doente. Conor sofre muito na escola, pois seus colegas o perseguem. Ele não tem afinidade com a avó e seu pai vive em outra cidade e é um pai ausente. 

Todas as noites, ele tem pesadelos com um monstro que conta histórias com mensagens subentendidas. O monstro faz perguntas, das quais Conor teme as respostas. 

'Você não escreve sua vida com palavras — explicou o monstro. — Você escreve com ações. O que você pensa não é tão importante. Só é importante o que você faz.'

O livro possui uma narrativa simples que prende o leitor do início ao fim da leitura. Além do toque de terror e realidade, o autor trata de outros assuntos, como o sentimento de perda, culpa, medo de enfrentar a solidão e a coragem para superar as dificuldades da vida. Um ótimo livro que vale cada página! 
Este livro foi publicado pela primeira vez em 2011 com o título "O Chamado do Monstro" pela Editora Ática e novamente com o título atual pela Editora Novo Conceito, a partir do original de Siobhan Dowd, uma escritora do Reino Unido vítima de câncer de mama em 2007. 
Foi adaptado para o cinema com o título 'O Chamado do Monstro' e ainda não foi lançado no Brasil.


Ano: 2016 
Páginas: 160
Editora: Novo Conceito


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Contos de Terror do Tio Montague - Chris Priestley





Resenha - O livro é uma coletânea de contos de terror onde o personagem Edgar é o ouvinte das histórias horripilantes de seu tio Montague. O tio do menino é um homem solitário e misterioso que vive sozinho em uma casa um tanto estranha na companhia de um mordomo que nunca aparece. Em meio a tanto mistério e um ambiente sombrio, tio Montague relata suas histórias para o sobrinho. 
As histórias são macabras, recheadas de mistério, casas mal-assombradas, objetos misteriosos, demônios, sons estranhos, vultos e monstros. 
Edgar procura o tio para passar as horas, pois em sua casa seus pais não lhe dão a devida atenção e termina sempre por ficar envolvido nas narrativas do tio perdendo as horas de voltar para casa, pois o assunto sobre o além o encanta. 
No último conto o tio Montague fala da sua vida para o sobrinho, e dessa forma Edgar entende muito sobre a vida misteriosa do tio. 
Gostei muito dos contos, são todos muito bem escritos, com grande toque de terror e mistério mas o que mais me encantou foi 'A Moldura Dourada'. O autor Chris Priestley sempre teve interesse por histórias arrepiantes desde jovem. Tanto é grande a influência que ele usou os nomes dos dois personagens para homenagear dois grandes escritores do gênero: M. R. James (Montague Rhodes James) e Edgar Allan Poe, que são seus inspiradores. Dependendo do leitor é um livro não recomendado para ler a noite! 

“Estas coisas à nossa volta são... como posso dizer?... possuídas por uma energia curiosa. Elas ressoam com a dor e o terror a que estão atreladas. Meu estúdio virou um repositório desses objetos. Eu coleciono o que ninguém quer, Edgar, as coisas assombradas, amaldiçoadas... as coisas malditas.”



Ano: 2008
Páginas: 256
Editora: Pavio

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O Deus das Pequenas Coisas - Arundhati Roy


Resenha: O livro narra a história do casal de gêmeos Rahel e Estha de sete anos. Os dois vivem com a mãe em Kerala, sul da Índia. Eles inventam histórias perante a família desestruturada formada pela mãe Ammu, uma mulher solitária e infeliz, o tio Chacko, Baby Kochamma e uma mariposa imaginária que pertenceu a um de seus antepassados. A  família tem uma fábrica de geléias e pertencem a burguesia indiana. Há no país manifestações trabalhistas onde parte do povo segue   as tendências comunistas que contrastam com a colonização inglesa. O preconceito referente as castas ainda é muito grande, mas muitas pessoas já deixaram de seguir o hinduísmo. Cristianismo, islamismo e o marxismo já tem seus adeptos. A globalização já adentrou o país e já influencia o povo. 
Mas os gêmeos tem uma grande veneração por  Velutha, um homem negro pertencente a uma casta inferior que foi criado pela família. Velutha trabalha com madeira, faz serviços pequenos e inferiores, mas sem deixar de ser belos e importantes, a ele sobrou apenas as pequenas coisas, que muitas vezes não são vistas por todos. Essa amizade não agrada a família e torna-se proibida.   E uma grande tragédia cai sobre a família no dia em que chega na cidade a filha de tio Chacko. Neste dia, Rahel e Estha descobrem que "as coisas podem mudar num só dia, que as vidas podem ter seu rumo alterado e assumir novas - e feias - formas. Descobrem que elas podem até cessar para sempre". 
A narrativa é intercalada passando de um fato para o outro dentro do mesmo capítulo tornando um pouco difícil a leitura, mas essa forma da autora escrever não deixou a história menos interessante. Gostei muito do livro. Aborda além dos conflitos familiares, preconceitos, violência, política, a condição da mulher, abusos  e muitos assuntos da sociedade indiana da época. Apesar de ser uma história trágica é também muito bonita. O retrato de um povo que só queria ser livre, tanto para viver como para amar.

"Assim, Ammu e seus filhos gêmeos bivitelinos quebraram as Leis do Amor. "Que determinam quem pode ser amado. E como. E quanto".



Ano: 2008
Páginas: 360
Editora: Companhia de Bolso


Foto -Suzanna Arundhati Roy
Suzanna Arundhati Roy, conhecida como Arundhati Roy, é uma escritora, novelista e ativista anti-globalização indiana, também envolvida em causas ambientais e de direitos humanos. Estudou arquitetura e trabalhou em cinema como designer de produção. Escreveu os roteiros de dois filmes. Seu primeiro livro O deus das pequenas coisas (The God of Small Things) ganhou o Booker Prize em 1997 e foi editado em 36 países. Venceu também o Lannan Cultural Freedom Prize em 2002.